28 de nov de 2012

violência obstétrica - a voz das brasileiras.


vi o documentário.
e chorei junto.

recomendo pra todo mundo.
eu tenho certeza: se você teve filho, você sofreu, em algum momento, alguma violência.

a coisa no brasil é muito, muito triste. meu senhor!

eu, que tive uma cesárea bonitinha, onde tudo deu certo, sofri. a cesárea, em si, foi uma violência. mas antes e depois. a piada do churrasco, ah, eu ouvi. eu ouvi "essa mãe tá muito gordinha". eu ouvi "os pontos ficaram ótimos, ninguém nem vai perceber". eu ouvi "quer ir pro quarto? é só você mexer suas pernas.". eu ouvi "eu dou banho e você só olha e aprende, tá?". eu vi cara feia. eu fiquei sozinha, costurada, sentindo o cheiro do meu sangue, vendo meu sangue todo espalhado pela sala de cirurgia. eu fiquei longe da minha filha e do meu marido por horas.

eu ouvi que o bebê era muito grande. que depois de cesárea, tem que ser cesárea. ouvi que "já estragou em cima, vai querer estragar em baixo também?". eu ouvi que eu não tinha televisão, e era melhor comprar uma. eu ouvi que agora chega de filho, né? como se isso fosse decisão de alguém que não eu e  o bhuda.

e isso porque minha cesárea foi fofa. porque eu tive 3 partos em casa, depois. mas a violência não está só na hora do parto. está na hora do ultrassom, no cardiotoco, no exame de sangue, na falta de informação, na coerção, no desrespeito.

ninguém tem o direito de me dizer se eu estou gorda. ninguém tem o direito de me dizer que eu não tenho escolha. ninguém tem o direito de me dizer quantos filhos eu posso ter. ninguém tem o direito de me dizer que eu tenho que ficar sozinha e aguentar. ninguém tem o direito de me negar informação correta e/ou o direito à escolha. ninguém tem o direito de me desrespeitar.

a hora do parto é sagrada.
ela não volta. não tem como fazer de novo.

mesmo que, depois, você tenha o parto mais lindo do mundo.

um bebê que precisa de UTI nos primeiros dias, não vai ter seus primeiros dias de volta.
uma cicatriz, seja na barriga, no períneo ou na alma, não vai embora. ela pode ficar quase imperceptível, mas ela vai estar lá.

pense, se informe, lute.

Um comentário:

Mari disse...

Eu vejo essas coisas e fico tão com medo de quando tiver filhos não ter quem me ampare e não ter forças para mandar alguém tomar naquele lugar. Eu peço a Deus para que, se não tiver ninguém acreditando em mim e nos meus direitos, que Ele esteja sempre lá e abra as portas porque eu vou estar acreditando fazer o melhor por mim e por meu filho. E que eu tenha forças para, se preciso for, dar uns tabefes em quem quiser cortar/furar/judiar/costurar/expressar opinião não pedida/fazer piadinha. Mesmo que seja só com palavras.