14 de mai de 2005

Japão ll

O pior do Japão é o preconceito.
Todo lugar, seja shopping, mercado, livraria, tem uma placa em várias línguas (português, malasiano, tailandês, coreano) com alguma coisa mais ou menos assim: "Você está sendo filmado.". Agradável, né?
Eu detestava sair com a minha mãe. Ela nunca se acostumou lá e continuou usando as roupas de "brasileira". Então, sempre que a gente saía, algum segurança seguia a gente o tempo todo. Uma bosta.
Tinha brasileiro espancado no meio da rua, a turma merda da escola que vivia me excluindo, colocavam barata no meu sapato...
Ainda bem que a gente vivia num lugar que tinha bastante brasileiro.

Eu fiquei lá 2 anos e meio, 3 anos. Aprendi bastante coisa, sim. Sei ler e escrever japonês (falar... muito mal e muito devagar. Mas, se precisar...), aprendi a tocar flauta, aprendi que eu posso me virar sem ter amigo nenhum, mesmo, comecei a ter pavor de japonês (pouquíssimos amigos meus são).
Ah, e eu descobri que aprendo línguas muito fácil. Depois que voltei, fui fazer curso de Inglês e foi muito fácil. Hoje, já estou bem enferrujada, mas....

Teve uma vez que a gente foi pescar: eu, minha irmã, minhas primas, meus pais, meu tio Bozó e tia Helena, meus avós maternos.
Quando a gente tava indo embora, tava meio escuro. Meu vô, que nunca foi exemplo de cuidado, entrou no carro errado (lá ninguém trava carro). entrou, sentou e ficou esperando.
Eu comecei a rir, que não me agüentava. Aliás, todo mundo. Mas eu me dobraaaava de tanto rir.
Aí veio o dono do carro e começou a xingar e ir atrás do meu vô. Aí, meu tio começou a ficar bravo, quase teve uma guerra.
Mas, venhamos e convenhamos, se alguém entra no seu carro, qual o primeiro pensamento? Pra mim, a reação do japonês foi normal e bem típica (deles). Eu ligaria pra polícia, mas...

Ah, tem mais uma coisa do Japão: todos os nossos móveis eram made in lixão. Pois é, a japonesada jogava tudo fora. A gente tinha 2 TVs, vídeo cassete, geladeira, rádio, toca CD, aquecedor, uma mesinha com aquecedor debaixo... tudo do lixo. Uma beleza!
Claro que eu morria de vergonha, mas adorava ir junto no dia de lixo, fazer a catação.

O mais marcante, pra mim, é a falta de higiene do pessoal. Ninguém escova dente depois do almoço, ninguém troca a água do ofurô por semanas (mesmo que 15 pessoas entrem todos os dias), o pessoal lá tem piolho que é uma beleza. Isso porque é primeiro mundo. E tem nojo de dividir copo. engraçado, né? Eu tomava chá no mesmo copo da minha irmã na buena. Eles morriam de nojo.
Uma vez, fomos eu e minha irmã com meus avós paternos na casa de um parente, lá. Japoneses, claro.
A "privada" era um buraco no chão. A gente tinha que acocorar e fazer lá, mesmo, sem lugar pra segurar, nada. E ficava acumulando os dejetos sei lá por quanto tempo.
E banho?? Tinha um ofurô. Aquela água cheia de pele, escama e sei lá mais o quê... E não tem chuveiro. Eu e a minha irmã tomávamos banho com a água de uma torneirinha, gelada, mesmo. Cruzes. Que nojo.
A gente ficou 3 dias sem usar o banheiro. Sem xixi, nem nada. Fomos num shopping, um dia, e foi lá, mesmo. Que horror.

Mas tinha a parte boa. A gente podia ficar com a porta aberta a noite toda que ninguém entrava, nada. Eu podia sair sozinha, sem medo. Isso era legal.
O ônibus passava no horário certinho: se estava escrito na placa (sim, tinha uma placa em cada ponto, com os horários todos) 7:32, 7:32 o ônibus passava. E a passagem era assim: quanto mais longe vai, mais cara fica. bem legal. Não tem cobrador. Era uma caixinha que conta o dinheiro sozinha, do lado do motorista.

As ruas eram limpas... Mas a mão é contrária. É mão inglesa. E o volante também é do lado contrário. O bom é que os câmbios são automáticos.

Sem dúvida, tenho lembranças boas. Mas... a maioria....

5 comentários:

thais disse...

Dica: se alguém, porventura, for passear no Japão, leve lente de contato azul e fale inglês.
De verdade.

Pira disse...

Poxa, nunca tinha ouvido essas histórias...por isso q vc ficou traumatizada, hahaha
Minha amiga q mora la com a filha e o marido ta gravida de novo e vai vir ter o filho aqui...la é muito ruim???
Bjinhos

Anônimo disse...

Cara! v. bem que descreveu os chineses nessas....
nossa o Marcello ficou bem assutado no começo quando foi trabalhar pra eles...diz que sotam pum na maior, não escovam os dentes arrotam na tua cara...e cospem nas lxeiras...
agora um vingancinha pra v.:
nas lixeiras da Hauwei...empresa onde o Marcello trampa, está escrito em letras garrafais em inglês: Não cuspa na lixeira....aiaiai...demais né?
ri tanto quando vi!!! hahaha
boa essa né????
prieiro mundo que não cuida nem dos dentes....nem da higiene...não dá;;;;é mais cara de subdesenvolvido né???
dei risada do seu post...sorry....mas também fiquei penalizada com situações sérias que v. realatou...mas em todo o lugar a gente encontra preconceito né?
fui discriminada por uma prima do Marcello, que estava grávida por "pregar" o parto normal....ela me deu umas geladas...a última pessoa que esperaria uma coisa dessas....bom o final das contas que menina nasceu de uma cesarea com apenas 34 semana....tava em sofrimento fetallll....
nem sei o que pensar...to mal também...mas....
beijos
*Sô*

menina dos cabelos amarelos disse...

nossa, Thá, fiquei impressionadíssima com essa sua "série Japão". cruzes, fiquei meio passada! quanta coisa, hein?
Ah! mas eu gostei da parte da lente de contato azul e do inglês. será que eu ia me dar bem, hehehe? beijos!

Simone disse...

Que show de horrores! Prefiro o 3º mundo mesmo. Pode-se dizer que vc é uma sobrevivente. Bjs