16 de ago de 2005

Meu pai

Meu pai é um homem cheio de defeitos. Cheio. E daqueles que se acha o perfeito. Ou, pelo menos, tenta se achar. Que não assume os erros, não tem coragem de assumir suas posturas, seus ideais.
Faz muito tempo que não falo com ele. Muito.

Não lembro de muitas coisas de quando eu era pequena. Sei que ele e a minha mãe se separaram, que eles voltaram. Minha mãe conta que eu pedia pra trazer ele de volta. Não lembro de ter sentido tanto.
Lembro de quando eu tinha uns 7 anos, que a gente acordou tarde pra escola (e eu estudava à tarde) e eles pro trabalho. E a gente foi ao Play Center. Foi muito legal.
Do Japão, que ele comprava pão todo dia, passava manteiga, colocava no forno e acordava a gente pra tomar café de brasileiro. De quando ele estava me ensinando a dirigir, que eu queria bater o carro no poste pra ver se ele parava de xingar. De quando eu quase atropelei o velho (hahahahahahaha). Lembro do dia que eu passei na USP e ele olhou pra mim e nem demonstrou felicidade. De quando ele viu o Bhuda pela primeira vez. Das brigas que a gente tinha. De como ele tinha a mania de virar as costas e ir embora quando ficava sem argumentos. De como ele conseguia ser falso (igual, só a minha irmã). Dos dias de bom humor dele, que ele ficava à mesa, depois da janta, e a gente ficava rindo e conversando besteira. De quando ele levava a gente pra escola. Da raiva que eu fiquei quando ele foi comprar passe pra minha irmã, quando brigava comigo quando eu dizia que era longe e que eu cansava de ir andando. Das brigas que ele e minha mãe tinham. De quando a gente achou que ele tinha sido assassinado. Das vezes que eu queria que ele tivesse tomado uma atitude e ele não tomou. De quando eu engravidei da Melissa. Das palavras dele quando soube que eu engravidei do João. De quando ele foi pro Japão.

Eu sinto falta dele. Mas muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito de vez em quando.
Sinto falta, mais, da figura paterna que eu queria que ele tivesse sido sempre, que ele foi de vez em quando. Sinto alguma coisa ruim de pensar que os meus filhos não vão, provavelmente, ter o avô que eu queria que eles tivessem.

6 comentários:

Simone disse...

Tha, eh por isso que eu acho que ter um pai presente (de corpo) so pra dizer que tem nao faz sentido. No seu caso, vc compensou dando um super pai para os seus filhos. Bjs

Bhuda disse...

more, que isso nunca aconteca conosoc. que nunca deixemos de conversar e participar da vida um do outro e da vida dos nossos pimpolhos...

tchamu...

Re disse...

Thá, nem preciso dizer como te entendo, né? Afinal vc já leu o meu post de hj... olha, o melhor de tudo é a gente perceber que é o que é por causa dos nossos pais, e muitas vezes, apesar deles... e aí a gente perdoa o que tiver que ser perdoado, esquece o que merecer ser esquecido e bola pra frente. Que ficam mágoas pelo caminho, ficam. Mas a gente vai aprendendo a deixar pra trás, por mais que volta e meia machuquem um pouquinho... mas o melhor de tudo é que repensar esse processo todo, tentar entender, faz a gente crescer. Às vezes até demais, o que pode ser ruim. Mas não necessariamente... putz, viajei!

Viviane disse...

Thais,

Passei aqui algumas vezes digo que, mais um pouco poderia usar seu post num e-mail para meu pai tb...sabe ele é muito ausente, não toma atitudes, é manipulado e não curte a filha e neta que tem como poderia e deveria..eu sinto falta disso e tenho uma serie de problema não resolvidos por conta dessa situação.
Mas eu não tenho coragem de falar com ele sobre isso...não sei se por covardia mesmo ou por saber que dai em diante não vamos mais nos ver, porque como disse, ele não toma atitudes devidas e coloca cada pessoa em seu lugar...e eu to indo pelo mesmo caminho...ó Deus...preciso fazer alguma coisa pois minha filha não vai trilhar este caminho..ha não vai não...
Eu não vou deixar.
E como a Renata comentou: escrevendo que a gente se entende melhor e organiza os pensamentos né?

Viviane disse...

Thais,

Passei aqui algumas vezes digo que, mais um pouco poderia usar seu post num e-mail para meu pai tb...sabe ele é muito ausente, não toma atitudes, é manipulado e não curte a filha e neta que tem como poderia e deveria..eu sinto falta disso e tenho uma serie de problema não resolvidos por conta dessa situação.
Mas eu não tenho coragem de falar com ele sobre isso...não sei se por covardia mesmo ou por saber que dai em diante não vamos mais nos ver, porque como disse, ele não toma atitudes devidas e coloca cada pessoa em seu lugar...e eu to indo pelo mesmo caminho...ó Deus...preciso fazer alguma coisa pois minha filha não vai trilhar este caminho..ha não vai não...
Eu não vou deixar.
E como a Renata comentou: escrevendo que a gente se entende melhor e organiza os pensamentos né?

Tati disse...

Ah, sua cachorra!! Ele comprou passes pra mim qdo eu estava grávida, meu.... Fala sério!! HAUhauahuaha
E falsa, eu??? Jamais! hauahuahauhauha
Eu acho q tenho mais lembranças boas dele q vc... Lembro de qdo passeávamos de bicicleta no Japão, de qdo vcs brigavam sobre os trangênicos, de qdo a gente esquentava café pra ele acordar e nos levar pra escola... Apesar dele nem lembrar q eu existo, eu sinto falta dele... Ele sempre tinha o conselho certo na hora certa (exceto sobre nossas gravidezes precoces!!HUahauauh)